Life is messy, that’s how we’re made. So you can waste your life drawing lines or you can live your life crossing them. But there are some lines that are way too dangerous to cross.
Convivendo com médicos desde sempre, sabia que ser um deles não seria fácil, me preparei a vida toda para essa carreira e nunca tive sequer um plano B; o aprendizado vai além do prático, da aplicação biológica da medicina, e mesmo que eu ouvisse isso diariamente, viver e ser a encarregada das situações torna o peso das coisas muito maiores. Você passa a entender a carga emocional, o tato necessário com os pacientes, o quanto cada pessoa, dentro da sua individualidade, tem o poder de mudar alguma pequena coisinha da sua vida mesmo sem ter noção disso; seja através de uma vivência, uma história antiga, ou até mesmo os conflitos que presenciamos — que não são poucos.
Tento manter, pessimamente, uma dica que me foi passada de geração em geração: escrever num diário quase religiosamente, disseram que o fim da noite é sempre especial e um ótimo momento para isso, mesmo que o dia tenha sido ruim, cansativo ou você acredite que não há muito o que dizer, porque podemos rever cada uma das coisas que fizemos, repassar anotações, fazer novas e é claro que sempre vamos encontrar alguma coisinha que deixamos passar ou queiramos dizer. As anotações são variadas, normalmente gosto de pontuar questões médicas para aprofundar depois, novas curiosidades, enfim... Uma infinidade! Há também algumas frases de efeito que capto, pacientes me ensinam em suas individualidades, nos sentimentos e vulnerabilidades, porque é impossível não aprender com aqueles que cuidamos.